Entrevista com Robério José Canto, autor de “Entre João Vaine e Jon Eine”


Nesta entrevista, o escritor e professor Robério José Canto abre as portas de seu universo criativo para conversar sobre sua obra "Entre João Vaine e Jon Eine", um trabalho instigante que transita entre referências literárias e culturais profundas. Mestre da crônica friburguense, o autor compartilha os bastidores da criação, os desafios do processo de escrita e as reflexões que dão sustentação a este instigante projeto literário, c
om a lucidez e a sensibilidade de quem investiga a essência da palavra.

Descubra nesta entrevista exclusiva com este apaixonado pelas letras, os segredos de sua prosa leve e profunda.

Robério, você é um friburguense apaixonado pelas letras, atuando há longos anos na imprensa local e mantendo a tradicional coluna “Escrevivendo” no A Voz da Serra. Como essa rotina de colunista e o contato diário com o público de Nova Friburgo moldam a sua visão sobre a cultura é a literatura na cidade?

Realmente, é um longo tempo. Só publicados em livro são, no mínimo, 500 crônicas e contos. Recentemente comecei a escrever microcontos: já são mais de 70. A coluna no jornal me obriga a escrever com regularidade e pontualidade e, em consequência, a estar atento e sensível ao que acontece ao redor de mim e em mim mesmo.

Sou apaixonado por Nova Friburgo, e ela é, em grande parte, a inspiração e o assunto da minha escrita. Então, acompanhar a vida cultural de nossa cidade, em especial a literatura, faz parte do meu dia a dia. Acho que temos em ação muitos escritores, músicos e artistas de qualidade. Também espetáculos e eventos que vêm de fora e são geralmente bons. Não acho justo falar que em Friburgo não há o que fazer.

A sua trajetória na educação como professor de Português certamente cruzou o seu caminho com o de muitos leitores e escritores em formação. De que maneira a sala de aula influenciou o seu ofício de escritor e a forma como você aborda a narrativa?

Fui professor por muitos anos e isso deixou marcas no que sei, no que penso, no que sou. A vivência com os colegas, o estudo a que isso me obrigou e sobretudo a experiência com os alunos (tantos!) são fontes inesgotáveis de assuntos para escrever. Na sala de aula o professor dá e recebe aulas todos os dias.

Uma coisa que aprendi com os jovens e que influenciou minha escrita é não enfeitar a conversa, não querer exibir sabedoria ou conhecimentos. Pedantismo é uma coisa horrível. Na escrita, então, é insuportável.



“Entre João Vaine e Jon Eine” marca o seu décimo livro publicado. Olhando para trás e revendo essa caminhada literária consolidada, quais foram os maiores desafios e as maiores recompensas de construir essa obra ao longo do tempo?

A recompensa que mais vale a pena é ser lido. Encontrar alguém que riu, concordou, discordou, às vezes até se emocionou, isso sim, é o melhor pagamento para quem escreve. Certa vez uma senhora me parou na rua e me disse que tinha chorado ao ler uma crônica minha. “Será que estava tão ruim?”, me perguntei. Mas não era isso. A crônica falava sobre meu avô, a quem ela tinha conhecido e estimado. Eu a fiz lembrar com emoção do Seu Teófilo!

Quando eu ainda trabalhava em colégios (no plural!), achar tempo para escrever era o grande desafio, e nem era sempre possível fazer uma releitura. Disso resultavam textos ruins e até com erros. Desde que me aposentei, trabalho com mais calma e posso “polir” o que escrevo. Acho que, a partir daí, as coisas melhoraram bastante.

Na sua coluna e em seus textos, você transita com muita naturalidade entre a crônica e o conto. Como você enxerga o espaço desses gêneros no cenário literário atual e o que cada um deles te permite expressar de forma única?

A crônica e o conto são os textos mais produzidos e lidos no Brasil atualmente. São leituras rápidas e agradáveis, e nem por isso superficiais, cultivadas entre nós por grandes nomes, desde Machado de Assis até autores modernos. Não sou mais do que um leitor desses grandes talentos, mas encontro nos contos e nas crônicas (sobretudo nestas) a minha maneira de melhor me expressar.

Você é um leitor inveterado — define a leitura como paixão e vício — e costuma justificar sua escrita com aquela bela frase de Carlos Nejar sobre escrever para estar vivo e pensar a vida. No seu processo criativo, quem são os autores ou as leituras fundamentais que continuam alimentando essa sua "consciência do universo"?

Minha predileção é pela literatura brasileira, mas também leio autores estrangeiros. Penso que ninguém pode se dizer bom leitor se não leu, primeiro de tudo, os principais romances e contos de Machado de Assis. Mas tem outros livros inevitáveis: Crime e castigo, Dom Quixote, Cem anos de solidão, Grande sertão – veredas. Não esquecer de Graciliano Ramos e muitos autores atuais, de primeiríssima qualidade. Neste momento estou lendo “Jantar Secreto”, de Raphael Montes.

Com dez livros publicados e uma história marcante na imprensa e na cultura friburguense, quais são os seus próximos passos? Que projetos ou horizontes literários você ainda deseja alcançar daqui para frente?

Não tenho grandes projetos. Enquanto for possível e os leitores me aturarem, vou escrevendo meus textos. Isso é o que me ocupa e me dá prazer.

E, se alguém quiser conhecer um pouco desse trabalho, acabo de lançar um livro, em cuja contracapa se lê: “Este livro reúne crônicas, contos e microcontos, nos quais o autor lança um olhar atento e sensível ao cotidiano, para interpretá-lo e recriá-lo, por meio das palavras. E procura fazê-lo de maneira leve, mas não superficial; bem-humorada, mas de um humor que não seja agressivo ou gratuito. Um acontecimento comum, uma pessoa interessante, uma notícia curiosa, uma frase ouvida ao acaso, coisas pequenas nas quais, no entanto, é possível descobrir significado além das aparências, originalidade além do banal. Um livro para se ler de cabeça fresca (ou para esfriá-la, quando ela tiver esquentado além da conta)”.

Se alguém desejar adquiri-lo, deve acessar:
 
Ficha Técnica 
 
Entre João Vaine e Jon Eine

Robério José Canto

Literatura Nacional, Ficção

123 páginas

Editora Clube de Autores

Disponibilidade: Versões impressa e digital em plataformas de e-commerce e no site oficial da editora.

https://clubedeautores.com.br/livro/entre-joao-vaine-e-jon-eine

Comentários