Nesta entrevista exclusiva, Phillip Quaid abre o jogo sobre os bastidores de seu projeto mais audacioso, discutindo as motivações por trás da criação da misteriosa cidade de Pale Hills e as aventuras de Jack Banner. Uma reflexão provocativa e bem-humorada sobre literatura, liberdade estética e identidade cultural. Se você ainda não o conhece, não pode perder esse bate-papo incrível.
Quem é Phillip Quaid?
Phillip Quaid é a persona literária por trás de narrativas de suspense e investigações voltadas para os mistérios da mente humana, explorando obsessões, o horror, o suspense psicológico e a ficção policial e sobrenatural. Trata-se de um projeto que desafia as convenções do mercado tradicional ao adotar uma identidade estrangeira e cenários cosmopolitas para explorar dramas universais. Mais do que um simples pseudônimo, Quaid simboliza para mim uma postura de experimentação estética, misturando crítica cultural e uma imersão profunda nas possibilidades literárias que o artifício possibilita.
Phillip, você busca construir uma reputação no suspense explorando o cotidiano com uma escrita fluida e cativante. Como nasceu o projeto de Jack Banner – Sozinho no Escuro dentro desse percurso?
Dar vida a essa obra foi, antes de tudo, um exercício de ousadia e liberdade criativa. Encaro esse romance como um misto de rebeldia, experimentação e puro divertimento literário. A proposta é mergulhar fundo nas facetas mais sombrias da psicologia humana e nas engrenagens de investigações complexas, enriquecendo e ampliando o alcance do que venho desenvolvendo no gênero de suspense psicológico.
A escolha de assinar com um pseudônimo de sonoridade estrangeira e ambientar a narrativa fora do país chama bastante atenção. O que motivou essa decisão?
Embora a ideia de usar um nome estrangeiro pareça inusitada à primeira vista, transitar por uma realidade narrativa distante ofereceu uma liberdade criativa que a proximidade com o nosso próprio cotidiano às vezes acaba limitando. Vale lembrar que grandes clássicos da literatura mundial fizeram o mesmo — Shakespeare, por exemplo, ambientou várias de suas peças na Itália sem jamais ter colocado os pés lá. Trata-se, acima de tudo, de liberdade estética.
Essa transição para o universo norte-americano carrega também uma forte carga de crítica cultural e provocação. Como essa escolha dialoga com a sua percepção sobre a influência estrangeira no Brasil?
Tudo começou quando conheci “Prisencolinensinainciusol”, faixa icônica de 1972 em que o cantor italiano Adriano Celentano imitava fonemas e ritmos do inglês sem dizer absolutamente nada, gerando um enorme sucesso como forma de protesto. Sempre pautei minha escrita na autenticidade de valorizar o Brasil e minha cidade, que serve de pano de fundo implícito para a maioria dos meus textos. No entanto, sempre me incomodou a forma como absorvemos acriticamente referências estrangeiras — seja na música, na literatura ou até nas estampas das roupas. Decidi adotar uma postura semelhante à de Celentano: criei um pseudônimo anglófono e transpus uma trama originalmente brasileira para os Estados Unidos como um gesto irônico e reflexivo.
Sob essa ótica geográfica e afetiva, o que a fictícia cidade de Pale Hills representa dentro da estrutura de Jack Banner?
Pale Hills funciona essencialmente como um reflexo transfigurado de uma cidade tipicamente brasileira. A narrativa nasceu originalmente como uma ramificação de um trabalho anterior, tendo Jack Banner como o eixo central. Ao adaptar a trama para solo norte-americano, recriei a geografia urbana e alterei a toponímia e os nomes dos personagens de forma a preservar um elo sutil com a concepção original.
Ao adotar um cenário estrangeiro fictício, você incorporou de maneira marcante a atmosfera dos suspenses noir norte-americanos. Como avalia esse processo de imersão estética?
Essa guinada proporcionou uma excelente oportunidade para testar novas abordagens estéticas e narrativas, usufruindo da total liberdade criativa que uma cidade imaginária permite. Pale Hills abriu espaço para incorporar com naturalidade os elementos clássicos do cinema noir e da cultura pop dos Estados Unidos, como os bares locais, o clima característico, os carros possantes e as dinâmicas sazonais.
Você espera algum tipo de restrição ou debate por parte de leitores ou críticos mais tradicionais devido a essas escolhas de autoria e cenário?
É bem provável que os setores mais conservadores torçam o nariz e me acusem de termos como xenoficção ou apropriação cultural. Contudo, minha defesa é simples: determinados gêneros carregam uma iconografia muito própria e se beneficiam de certas referências culturais específicas. Independentemente das polêmicas do protesto, a experiência em si tem se mostrado extremamente rica para expandir meus horizontes criativos.
Para os leitores que já mergulharam nas páginas de Sozinho no Escuro, o que está reservado para o futuro de Jack Banner e dos desdobramentos desse universo?
O projeto foi estruturado para desdobrar-se em, pelo menos, três livros de formatos enxutos, estruturados quase como temporadas de uma série televisiva. O segundo volume já se encontra em fase de produção, acompanhado de um spin-off. Ainda há muito terreno sombrio a ser desbravado nas brumas de Pale Hills.
Quem é Phillip Quaid?
Opa! Vocês quase me pegam, dessa vez! Peço que me desculpem, mas essa eu prefiro não responder por enquanto. Afinal, a verdadeira graça de Phillip Quaid está justamente em deixar que a atmosfera sombria de suas histórias fale mais alto do que a própria biografia.
Ficha Técnica
Jack Banner - Sozinho no Escuro
Literatura Policial e Suspense
135 páginas
Editora Clube de Autores
Disponibilidade: Versões impressa e digital em plataformas de e-commerce e no site oficial da editora.



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